Cruzei-me contigo esta manhã
numa estrada de saudades
que me conduz através do mar.
Abraço pequenos nadas
no sonho profundo e esverdeado onde me deito,
sem o teu olhar
apenas pressinto o leve murmúrio do tempo a passar.
Lágrimas sagradas de um Deus poderoso
adoçam o mar, outrora salgado
levantando ondas plenas de compaixão
que embatem na praia dos sonhos
uma praia alcançada em terras sem mar
entre sons e silêncios que se elevam
para lá dos altos cumes do pensamento
e do desfiladeiro do amor
que corre ali, ao longe
perdido entre palavras e versos de água
que procuram pela manhã de todas as ilusões
escondida enquanto repouso.
Neste recanto de fantasia chamado sonho
mortifica-se em mim para sempre
após o acordar assustado
a luz de um olhar que partiu
e em mim deixou saudade.

 

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