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No coviu das nuvens,
Na morada dos mortos,
Encontra-se o amante
Antes também amado!
Ferida do infinito,
Vento gélido
Devastador do último calor dos corpos.
Perdido me encontro após o profundo corte,
Certeiro, na simples lufada a morte.
Hoje caminho como posso
No choro, no poço.
A predestinada dor
Rompe a trégua e clama a vitória.
Num breve lapso de bondade do destino,
A felicidade plena,
Permitida me fora,
No curto espaço dos sonhos.
O amor que vangloriava a própria sorte
Por ter encontrado um querer firme e certo.
Por onde andas este Amor?
Perdido em memórias tantas,
Letais e sem esperanças de novamente ter vida.
Minha cegueira,
Tua recusa.
Quanta covardia da amada,
Quanto descuido do amado.
Lá está o grande afeto,
Perdido dos seres,
Nos meus livros agora teus.
Tua presença resta nos versos
E nas melodias.
Não voltarão os teus beijos,
Nem a sintonia do corpo,
Justa forma que me pôs em clausura
A esperar o teu regresso,
A odiar-me por tão pouco,
Um desabrigado na sela do eu.
Meu próprio rival eu serei,
Mendigo do amor como em tempos outros.
Fiel ao vazio,
Traidor do que é pleno.
Aguardarei o nobre fim que o tempo traz,
Pois em meu peito a vida agoniza,
Não há contentamento
Longe do teu querer.
Há apenas o letal espaço
Entre o poema e o traço
Entre eu e você.
29 /10/1999

Trago do teu corpo as mais finas
lembranças...
Querer desatinado, desassossegado de mim
mesmo, febril.
Que só encontra a coisa amada no deleite do perigo
E assim se abriga nos beijos, nos anseios, nos trejeitos.
Amo-te como se cada encontro fosse em si o derradeiro
Desejo e pasmo alimentam o desencontro.
Sonho que surjas sem o dissabor do breve adeus
Para amar-te em remanso no estender da noite
Sob a proteção das sombras.
Teu amor, venturo venéreo,
Consome minha carne,
Meu pensar,
Liberta meu devir
Para a doce espera de ter-te.
E no eterno instante,
Fazer-te minha e delirante.
Guardo-te com ternura
Enquanto aguardo-te em silêncio.
Tua presença a desfilar só em meus sentidos;
A destilar meu gosto,
A refinar minha alma.
Esse sempre delicado amor,
Que não esperas ao partir
Mas acolhe no regresso.
Por entre as coisas próprias de nos dois,
Almas abrandadas,
Corpos abrasados.
Deixo em teu corpo as mais finas
lembranças.
22/04/2000

Qual a razão da dor?
Se mais são as flores e os amores,
Se os dias frios são lembranças de teu aconchego
Sereno e silencioso.
Palavras eternas,
Doces razões de amor.
Como então pode haver melancolia?
Se tu moras nas horas dos meus dias,
Nas auroras onde os sonhos insistem em viver,
Nos desejos - miragens feitas verdades,
Na bela paisagem de teu amor por mim.
Onde o querer sob maneira amena
Seria o reter da volúpia
Na maciez de tua face,
Flor formosa.
No teu olhar perdido
De menina que disfarça amores
Revelando segredos,
Exigindo cuidados
Para com o dorso quente,
O colo que vive e pulsa,
Os lábios de sentido divino
E de ébrio sabor.
Mulher feita de milagre,
O belo após o olhar,
Indefinida certeza do imortal.
Meu amor,
Minha amada,
Além de ti
O amor nunca é mais.
08/11/2000

Eu a cobriria de amor,
Bem sei.
E a desejaria a cada verso novo
Como se a mim coubesse a dádiva
De compô-la sobre meu querer.
Deveras apenas
Meu amor que espera.
Transmitido suavemente,
Quase mudo aos teus ouvidos,
Transitando docemente em teus gestos.
Quando repleta de meus apelos
Tua face estivesse,
Com veemência me amarias,
Tomaria-me como teu prazer,
Guiaria-me para teu desejo.
Sobre tua pele
Realizaríamos sonhos.
De tanto amor presente,
Fitando em face à realidade,
Do meu amor duvidarias.
Passado este exato instante,
Ainda mais amor.
Conheceríamos o eterno
E o imaginário,
Recobrada a consciência
Preservado estaria o sentir.
E sob o olhar comum da realidade
Um singular amor.
05/04/2002

Guardo-te em vozes e gestos trêmulos,
Contemplo-te como quem adora em silêncio,
A esperar que em ti suscite o que de mim se apoderou,
O olhar.
Em ti o alvorecer da novidade.
Reconheceria tua sombra repousada sob o
sol
E por entre o frio,
Nevoa perdida a buscar a relva,
Apenas sombrias lembranças
Que ante a ti,
Tua face pôs-se a por fim.
Como que em oração
E ainda que inutilmente
Eu clamaria teu nome.
Tu não virias,
Mas residiria em esperança,
Nos lábios meus.
Reviveria minhas palavras
Que por agora se encontram
Emudecidas em solidão.
E se tal melancolia
Não me tivesse tomado a voz,
Eu rogaria pela minha própria sorte.
E ainda assim perdido, trêmulo
E de ti faminto,
Algo me conduziria cego,
Embora sob maneira certeira
A padecer em teu caminho
Sem que me avistes.
Eu nutriria teus passos
E ainda que não me percebeste
Seria teu afeto.
Não como são todas as juras de amor,
Mas como são todos os arcanjos guardiões.
Colocaria-me a acalentar-te sobre as
nuvens,
E nos recantos mais longínquos te amaria
E dos cantos mais sombrios te resgataria.
Entoaria cantos sagrados de amor jamais ouvidos,
Todo toque em tua pele seria a sublime experiência do ser.
Eu sucumbiria à graça de teus lábios entre
os meus,
Como se todos os sabores das coisas eternas
E passageiras da humana vida
Tomassem meu paladar naquele instante.
Meus lábios se cerrariam
E minha alma lhe professaria o infinito amor.
06/05/2002.

O que contar ao próprio coração sob a
solidão?
Como dizer lhe a razão de se estar só?
E explicar todo o amor que se encera em si
E na tristeza da ausência dos olhos da amada.
Como contar ao coração?
Se nada além do amor o acalenta
E se em silêncio ele recobra-se tão somente
Daquele sorriso perdido em desventuras.
Marcas que não se dissolvem em novos
adornos,
Mas clamam em lágrimas noturnas e silenciosas,
O que se perdeu da existência,
Da minha existência.
Teus lábios em breves beijos
Clamavam um amor de igual feitio.
Tua alma que me conduzia às coisas eternas
Totalizando minha humana existência.
Minhas promessas aos teus apelos,
Jurei não te abandonar e assim o faço,
Ainda que do lado escuro da realidade,
Onde secam rapidamente as tuas juras.
Não há mais quem pronuncie teu nome,
Teus medos tornaram-se minha triste realidade,
Teus lábios me disseram adeus.
A memória de teu sorriso é o meu viver
perdido,
Renunciado em nome de tua liberdade.
Já que a minha perdeu-se na ausência do enlace com teu corpo.
Amo-te nesta minha mudes infinita,
Aguardando imerso na angústia das sombras
Eclipsando os ensejos e os desejos
Onde a realidade não provenha de ti.
Por onde andas minha existência
Se me encontro sussurrando lembranças,
Vivenciando sombras
Em uma desesperada espera.
Espero pela piedade do Tempo
Que em suas idas e vindas
Sob a face da Fortuna
Empenhou-se em me privar da boa sorte.
Desfez o amor que eu desfrutava,
Lançando-me em tão penosa temeridade
Que por agora teima em ser destino
Quando deveria ser acaso.
Como contar ao coração que neste lado da
realidade nada há além da solidão?
19/05/2002

Você possui o sabor das coisas originais
E fez-se em meu ser a presença inseparável
Surgida em sonho, em verso,
No eterno instante do florir.
Tempo em que se misturam emoções
Num querer estar, querer ser, querer ver,
Consciências capturadas a esperarem
O encontro, o toque,
Almas que se abrem ao novo
Como recanto de possibilidades e sonhos.
Como é doce saber que pensas em mim.
Quero que saibas que me tens ao vento,
Onde se encontra minha voz
A contar todo meu sentir.
Encontra-me quando fita teu olhar nas coisas
Sem nem saber o porque.
E quando tua alma parece pairar a realidade,
Qualquer que seja ela,
Misturando lembranças e fantasias
Na sublime ânsia de apenas viver e provar…
Aí também me encontras
E sem perceber me acaricia a face,
Sussurrando meu nome,
Permitindo-me assim repousar em teus lábios,
Dando-me a beleza das coisas eternas.
Tua imagem é a esperança da luz,
Tuas palavras são o calor de minhas palavras,
Que para ti retornam no meu desejo de ser teu.
15/06/2002

Há tanta coisa que gostaria de te dizer
E não digo.
Perdi-me na imensidão dos sentimentos
Nos desejos silenciados
Por tanto clamarem,
Minhas mãos deslizando em sutis carinhos
Sobre as tuas mãos
Em caricias tremulas
Que duvidavam da sobriedade
Do meu inebriante sentimento.
Tua presença se refez em minha vida
Para me recobrar da existência
E do que é belo e verdadeiro,
Para lançar-me ao algo mais
Ao que transcende o cotidiano
O finito, o instante.
Anseio da vida
Apenas recordar de ti
E acompanhar-te
Nutrindo-me da tua luz,
Da tua voz,
Do teu aroma.
Ter-te minha
É um sonho que não ouso ter.
A face.
Teu olhar recaia sobre o meu,
Enquanto eu livremente te contemplava.
Debrucei-me quieto
Em toda a tua vastidão,
Em toda a possibilidade do acontecer.
O silêncio produzia ainda mais significado
Do que tudo aquilo que desejava
Antes de ter contigo.
Viela das sensações,
Abrigo do querer;
No fundo todos nós somos mudos.
O que a mim se comunica é a tua palavra,
Sempre repleta de saber e doçura.
Tua palavra perdoa e acolhe,
Ainda que eu me esconda
Neste frio recanto,
Onde outras vozes não me atinjam,
Não me toquem.
Outros,
Em meu ver fúnebre,
São toa somente estátuas
Mudas e cegas,
Insensíveis estátuas,
Vivas em teu sorriso matinal.
Os dias provêm de ti,
Enraizados por significados e sabores.
Aguardo acolher-te
No amargo dos dias tristes
Que de repente
Abrirão-se diante dos teus olhos.
E se acaso volveres lágrimas
Que elas repousem em mim,
Assim como em ti se abriga o meu afeto.
20/07/2002

Tua voz abriu a imensidão de uma nova
realidade
Quando me recriastes além do sonho
Um novo mundo se revelou diante de mim
Vejo-me diante de ti, perdido.
Tomei forma,
Vivencio agora a realidade
E posso me dizer humano,
Que como tantos outros
Trago também tristezas e lembranças.
Mas, mais hão de ser os sonhos que trago
E os sonhos que me trazem.
Contrário ao óbvio
Tu resides em mim.
Minhas mãos se fizeram trêmulas,
O meu olhar ficou perdido,
E a minha voz tímida
Ao ouvir o ressoar do doce som da tua
O que me levou a ver e a construir
Diante de mim
Imagens do retorno ao paraíso,
Do cicatrizar das feridas.
Em alguma dimensão
Onde se pode imaginar livremente,
Possuo-te.
No espaço que espero para ser em ti
E em que espero para sermos nós.
23/07/2002

Diga-me o que se faz ante um grande amor,
Quando se aproxima a voz do desejo
É a aura que ao céu eleva o caminhar
Bailando pela noite que espera rever-te.
Como se abrirão as flores quando o sol
volver tua luz,
Como será o primeiro dia em que nascer o amor.
A imagem de tua face revelará
Os sonhos que me foram o desejo de toda vida.
E antes que se finde o ocaso hei de buscar
Pra ti o colorido das nuvens
Longe do possível mundo
Para que meu bem querer possa ter contigo.
A muda voz,
O silêncio com tanto a dizer
E a vida a brincar de me por diante de ti.
Espreita-me e me espera
Que hei de estar contigo
Antes que advenha o apelo.
Receba de mim o amor
E essa triste certeza
De quem talvez não soube amar
15/08/2002

Nossas almas sempre se encontram
Quando mais carecem de si mesmas,
Como se um elo além do nosso entendimento
Nos rendesse de tempos em tempos ao outro.
Amo-te sob o jogo da própria vida,
Neste sentimento dispare e até então eterno.
Já te desejei pela curiosidade,
Por desejar o que se ocultava em silêncio,
Esse sentimento triste que vinha de ti,
Deste-me teus lábios em gratidão
E em silêncio lhe prestei um amor sagrado,
Que se pôs em novos tempos
A lhe servir em nova composição.
Agora era o teu amigo
E ainda mais te amava.
Amor batizado pelo mesmo mar
Que houvera me deixado
Em tempos outros,
Nos olhos a tristeza
E na boca o sal,
Embriagues.
Agora, mais te queria,
Teu corpo, teu carinho.
Aquela que abria as asas a me envolver,
Um anjo, uma amiga,
Ainda mais amada,
A me revelar teu intimo,
A me ouvir falar de amor.
Éramos amigos de proporções celestes.
Quando de repente
Vi-me desejando-te como mulher,
A beijar teus lábios com todo o sabor da espera,
A imaginar teu corpo sobre o meu,
A ferir-me se necessário,
Nesse enlace dos seres.
Eu invadiria teu intimo,
E tu tocarias teu seio
Ao exibir teu corpo nu,
Despejando teu desejo em meu desejo
Nos consumiríamos.
Mas perdi-te em meus devaneios,
Nesse desejo que me tomou sem anúncio algum.
Já não pronunciava mais teu nome em público,
Mas o contemplava
No que havia de vazio em mim mesmo.
Até que o acaso ou o destino
Fez-te surgir diante de mim,
Fez tua vida encontrar a minha,
Nesse eterno labirinto que me faz voltar a ti,
Na solidão das coisas da vida,
No cheiro do teu corpo
Que teu abraço deixou em mim
Embalando uma das poucas noites
Em que a tristeza não fez par em meu leito,
Pois recobrei o desejo de ti,
Pois ainda mais te quero amar.
12/09/2002

Eu queria ter feito só mais um poema
Para te mostrar um amor sereno,
Para não te assustar com esse imenso querer
Que te fizesses medrar viver,
Longe de mim.
Só mais um poema
E eu recuperaria a voz diante de ti
E talvez assim eu lhe convencesse
A findar o que agora eu presencio
Minha tristeza.
Só mais um instante com papel diante de ti.
E só talvez eu não estivesse,
Do que me valem os poemas de adeus
Se quando quis ser teu
Eles apenas quase me serviram
E é esse quase que me apavora
Deixando na boca o gosto do que poderia ter sido
E isto me assombra todos os dias.
O poema que não fiz
Quando nossos olhos se encontraram
No dia da última possibilidade.
Foi-me voraz a despedida. O fim.
E ali, o compor do primeiro poema do adeus,
A ponte para lugar algum,
A eterna lembrança do si,
O eterno gosto dos ais.
Revelo-me em meio ao que não é,
Do que não me tornei,
E do que ainda me turba nas noites.
Minto acerca do que vem de mim
A cada instante,
Em todos os instantes.
Não há um só dia
Em que tu não sejas minha poesia,
Minhas lembranças do adeus,
Minha íntima melancolia.
Tristeza em mim encoberta
Se outros desta dor soubessem
Eu não mais existiria,
Seria lenda.
Apenas mais um amor que se desfez
Ainda disforme pela espera,
No espaço entre a noite e o dia.
E tudo por ter faltado um poema,
Que te faria ser minha,
Para que em ti
Eu fosse o amor.
Meus sonhos ainda esperam,
E acreditam que quando me tomou a fronte à despedida,
Havia ainda amor em teu olhar,
Em tua alma.
Dividiu-se o amor infundado
Não poderia ter sido teu capricho,
Nem sabor para teu ego,
Eu não haveria de ser tanto,
Se para ti,
Eu era a mais fácil das conquistas,
Doe-me aquele não sei o que, de outrora,
Aquele talvez amor.
Que perdi por um poema.
17/11/2002

Traz-me encantamento
Todos os sons que emanam de ti.
Já não me importa outra palavra
Só quero ter a tua,
Teu som,
Teu sublime encanto,
Que encontro além-mar.
Tu calas em mim as desventuras,
O sofrer que há na vida.
Deixa-me caminhar em tuas canções
Que são meus sonhos de ti.
Espera-me nesse teu recanto
Que das trevas hei de sair
Para ter de ti a presença
E a voz da terra.
Teu timbre celeste
Antes domínio apenas dos anjos
Anuncia a eternidade da vida,
A certeza do belo que há em cada dia
E em todos os dias.
Canta-me acerca do amor,
E quando se silencias
Tua presença,
Ou a esperança de ti,
Falam ainda mais.
21/12/2002

Há ainda uma verdade
Debruçada sob a noite,
Esculpida como se fosse adeus.
Ela paira doce sobre os lábios
Não agride,
Não fere,
Ela vive.
Distante demais para ser esquecida.
Não se pode enganar a madrugada,
Pois a solidão espreita.
Talvez o sol ainda não tivesse nascido
Para se ver poema em flores
E nestas,
Amores.
Nada me foi suficiente,
Nada bastou.
Fica na alma o amargo da dúvida,
O desejo da culpa,
Misericórdia da incerteza.
Só tu sabes a verdade,
Só tu conheces o conteúdo do adeus.
Acaricio a eternidade
Encontrando na sucessão dos dias o amparo,
O colo que carece do amor,
Infortúnio.
Não há promessas suficientes,
Nem desejo outro que me contente.
Crer no amor nos privou de ver,
Nos fez provar do impossível.
Teu adeus consumiu o instante,
O passado é agora o distante,
Mas do que o longínquo
O derradeiro fim.
A última voz
Trás consigo uma esperança insólita
Para que eu possa amar-te sempre
E todos os dias.
O alvorecer me traz
Uma dormência,
Um sopro gélido,
Um desejo fúnebre
De que se avizinhe a morte.
Ao entardecer
Soletra-me nas vértebras
O ímpeto,
A conquista.
Acredito ser guerreiro
E ser sacro
Como um amor cortês.
Nas noites
A escuridão revela a dor
E toda dor
Trás consigo lembranças,
Sonhos que parecem ser verdade,
A esperança do regresso,
As vozes de outros que amam.
Na madruga és pior
Por vezes em estado ébrio
Quando não eu,
O espírito da noite.
Toco imagens repartidas
Fragmentos de desejos.
Mas nada se compara
Aos dias de primavera,
As dores da primavera.
Do nascer,
O irrevogável beijo,
A derradeira esperança.
Exigiu-me juras nestes dias
Quando o incerto parecia nada.
Acreditávamos no reencontro,
Tomei por certo a felicidade
Enquanto tu sabias do fim.
E por isso digo
Que não há dor maior
Do que os dias de primavera.
09/03/2003 |