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É
unanimemente considerada uma das melhores vozes do actual panorama
musical português e mundial, isto porque quando alguém ouve pela
primeira vez a sua voz, seja português, japonês ou de qualquer outra
nacionalidade, não lhe consegue ficar indiferente. Mesmo quem sente
pouca afinidade pela música dos Madredeus, constata, pelo menos, a
singularidade existente no timbre da voz de Teresa Salgueiro.

Há desde logo um encanto que emana da sua voz. Somente pelo seu registo
vocal e, sem haver conhecimento prévio da sua imagem, poder-se-ia dizer
que Teresa é um ser angélico, formoso, pacificador. Pela sua voz é
possível adivinhar-lhe a figura, a imagem pressentida torna-se cada vez
mais nítida à medida que nos embrenhamos no seu doce canto emocionado.
Aberta essa janela de sensações,
avista-se com clareza a imagem de Teresa, juntas, voz e imagem fundem-se
na criação da personagem.
É
sem surpresa que se absorve a primeira imagem não imaginada de Teresa
Salgueiro, de facto, Teresa é um ser angélico, formoso, pacificador. A
personagem consolida-se ainda e sempre pelo que fora previamente
imaginado, será sempre um reflexo de sentimentos emergindo do espelho
das sensações.
Maria Teresa Salgueiro nasce na Amadora, cidade dos arredores de Lisboa,
no final da década de 60. Predestinada ou não para ser cantora, a
resposta dependerá sempre da nossa crença num destino traçado ou num
destino por traçar, o certo é que Teresa costuma afirmar nas suas
entrevistas que sempre cantou. Cantarolava as cantigas saídas dos
festivais da canção, os sucessos da música brasileira e, mais tarde,
os fados tradicionais.
Aos 17 anos Teresa era a
voz dos Amenti, segundo Jorge Pires “um grupo de garagem vagamente
futurista” que ensaiava nas proximidades da Avenida de Roma, em
Lisboa.
Os Amenti perderam a sua
mais valia, a voz de Teresa, quando Rodrigo Leão e Gabriel Gomes
assistiram a um dos ensaios do grupo. Os dois voltaram a cruzar-se com
Teresa no “Gingão”, um bar com alma fadista, localizado no típico
Bairro Alto. Teresa voltou a encantá-los com a sua voz e presença, ela
encarnava a figura feminina que idealizavam para dar voz e alma ao seu
projecto musical, ainda sem nome, mas que se viria a chamar Madredeus.
Isso mesmo constatou também Pedro Ayres Magalhães quando ouviu o canto
daquela rapariga de 17 anos. Teresa era a voz que procuravam, mas não só.
Ela incorporava na perfeição a postura que
Pedro Ayres, Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro
haviam idealizado para a cantora que procuravam.
A uma postura coerente com o som e as palavras do grupo, Teresa
acrescentou ainda uma inegável originalidade no modo de cantar e de se
apresentar em palco.
Teresa
molda os versos que canta com a sua voz delicada e pura, plena de emoção.
As palavras tornam-se leves apesar de carregadas de sentimento, ondulam
no ar libertas pelo seu cantar suave e apaziguador.
A
voz
sublime flui com naturalidade da sua figura pequena e frágil de mulher,
dela emana um encanto natural que não passa despercebido, irradia uma
paz que poucos conseguem transmitir, somente os seres iluminados que
indicam caminhos. A uma figura como a de Teresa só poderia corresponder
uma voz cristalina e límpida, pacificadora.
Quando
a vemos em palco é com essa impressão que se fica, somos tocados pelo
dom pacificador transmitido pela sua voz e pela sua presença. Assistir
a um concerto dos Madredeus é uma experiência de indiscritível elevação,
Teresa está lá para colorir os ambientes instrumentais criados pelos músicos
do grupo dando textura às palavras e forma aos sentimentos que vai
cantando. É tocante a postura com que Teresa se apresenta em palco, a
interpretação de cada canção é uma pura manifestação de
sensibilidade. É deslumbrante a sua simplicidade, inesquecível o
movimento das suas mãos, comoventes o seu olhar e o seu sorriso,
afectuosas as poucas palavras trocadas com o público no início ou
final de algumas canções.
Se
as primeiras canções dos Madredeus não foram escritas e compostas
propositadamente para Teresa, a partir de certa altura, os membros do
grupo passaram a escrever e a compor tendo-a como referência, facto
particularmente evidente a partir do álbum “O Espírito da Paz”.
Fonte inspiradora da maioria das canções dos Madredeus, Teresa
torna-se o ícone do grupo, a sua personagem principal, de tal forma que
no álbum “O Paraíso” é apenas a sua face que surge a ilustrar a
capa do álbum.
Foi com naturalidade que Teresa se tornou a imagem de marca dos
Madredeus, imprescindível e insubstituível, adquiriu esse estatuto
pela dedicação devotada à música e mensagem do grupo.
Apesar
da estreita ligação que existe entre Teresa Salgueiro e a música dos
Madredeus, é com insistência que lhe é posta a questão sobre uma
possível carreira a solo. Teresa não exclui a possibilidade de um dia
vir a dedicar-se a uma das áreas musicais que lhe é mais querida, o
fado, mas vai dizendo que se sente bem no grupo, que se identifica com
as belas canções que os músicos dos Madredeus escrevem e compõem
para si.
Até ao momento, os diversos projectos paralelos aos Madredeus em que
Teresa participou, não foram incompatíveis com a sua actividade no
grupo. Dentre eles destacam-se as suas colaborações com António
Chainho, Angelo Branduardi e Carlos Núñez.
Com
uma carreira de sucesso alicerçada nos Madredeus, Teresa Salgueiro é
hoje uma referência para muita gente repartida pelos quatro cantos do
mundo, a sua voz é idolatrada tanto em Portugal como no Brasil, México
ou Japão. Teresa é um bom exemplo de como se deve passar por este
mundo, tentando sempre tocar os outros através de algum dos dons que
nos foi concedido. Teresa oferece-nos o seu canto sereno, o seu
ensinamento brando e bonançoso.
Com
o passar dos anos continua fiel à convicção de estar ao serviço
da música e de uma mensagem, mas não, parada no tempo. Teresa soube evoluir,
apreendeu as lições da viagem e do tempo. A Teresa Salgueiro que hoje
canta nos Madredeus e que vemos nos concertos, é fruto das vivências
dessa viagem mundial empreendida desde cedo, é fruto das experiências
que foi vivendo, entre elas, a da maternidade. Tudo isso transparece
desta Teresa que ainda e sempre continuará a iluminar os meus dias.
Obrigado
Teresa, por tudo o que me tens proporcionado, serás para sempre a minha
musa inspiradora, um
e
t e r n o e s u b l i m e “raio de luz na minha
vida”.
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