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Num cenário que recriava o pátio de uma floresta
encantada, os Madredeus gravaram ontem o vídeoclip do tema "O
Labirinto Parado". Uma canção que tem por base o piano, com música
de Carlos Maria Trindade e letra de Pedro Ayres Magalhães, retirada do
novo álbum de originais, "Movimento", que vai ser editado dia
9 de Abril. Com um vestido comprido cor de sangue e o cabelo
desalinhado, Teresa Salgueiro, a voz dos Madredeus, cantava palavras de
amor e saudade. Afinal, o mote que continua a servir de inspiração ao
grupo português composto ainda por Pedro Ayres Magalhães, Carlos Maria
Trindade, José Peixoto e Fernando Júdice. Sem pressas, o grupo passou
um dia inteiro a gravar no interior dos estúdios da Matinha sob as
ordens do realizador João Nuno Pinto, 31 anos, e da equipa da produtora
Tangerina Azul, responsáveis pela elaboração do guião. "Take"
após "take", Teresa entrava no labirinto de árvores e galhos
secos para cantar e, de pé ou sentada, dispunha-se a repetir a cena
vezes sem conta, quase até à exaustão. Mais tarde, os
instrumentistas, de fato completo e bengala à "charlot",
juntavam-se no mesmo cenário para compor a imagem do grupo e
interpretar a canção emblema do novo álbum. João Nuno Pinto,
realizador de filmes publicitários e já premiado por um vídeoclip dos
Da Weaseal, explicou ao Correio da Manhã que teve total liberdade para
criar este ambiente e compor à sua maneira o filme de quatro minutos. Só
foi limitado no improviso que surgiu durante as filmagens, quando quis
incluir a pequena filha de Teresa, Inês, que surgiu no cenário vestida
de dama antiga. Perante a recusa dos pais em deixar filmar a menina, o
realizador ia insistindo. Ritmo de balada
Quanto ao resto, "a escolha do tema foi minha",
disse, "e não esperava que os Madredeus me dessem essa
oportunidade. Reconheço que foi uma escolha difícil, pois o álbum é
muito equilibrado, e é também uma grande responsabilidade, porque tem
de ser um tema que venda, que fique no ouvido, mas acho que foi
acertado". Visualizar a ideia de "Labirinto Parado" foi
mais fácil e resultou de "um grande entendimento" com o
grupo: "A canção tem imenso ritmo e esta balada constante ajuda a
compor o ambiente". O cenário, criado também pelo director de
arte Wayne dos Santos, representa "um Mundo irreal, fantástico. O
Mundo de labirinto. O filme passa-se todo nesse ambiente, não de um
labirinto clássico, mas num enquadramento que assim o defina". Daí
a escolha de ramos de árvores secas, um lago com pedras, folhas caídas,
frutas fora de época, e um piano. Candelabros com velas claras ajudam a
iluminar esse clima fantástico e a imagem de Teresa Salgueiro, envolta
em ramos e galhos quebrados é, para João Nuno Pinto, "suficiente
para criar um filme. Ela tem uma presença que enche o ecrã".
Habituado ao ritmo alucinante da publicidade, o realizador reconhece que
filmar vídeoclips "é um escape. A publicidade é o meu
"ganha pão, mas limito-me a realizar as ideias que me são
indicadas. Com estes trabalhos tenho mais liberdade criativa. Dão-me a
oportunidade de expressar as minhas ideias". Terminadas as
filmagens, o vídeoclip de "O Labirinto Parado", cuja direcção
de fotografia é de Carlos Lopes (Cacá), vai ser (re)trabalhado na fase
de montagem e deve começar a ser exibido já no final do mês. Texto de Isabel Faria
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