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"Deixa-me ser como tu/Um raio de luz ardente/Deixa-me
ser como tu és/Luz e Amor somente". O mítico canto dolente de
Teresa Salgueiro encontra um contraponto radioso quando envia à plateia
"Um Raio de Luz Ardente". Superada a aparente aridez própria
de uma primeira audição, Madredeus começa assim a conquistar o auditório
que testemunha a estreia mundial de "Movimento" numa
inadequada e desconfortável tenda de circo. Em mais uma performance
religiosa, não será exagerado sugerir que tanto artistas como público
mereciam o ambiente de uma catedral, tanto mais que se travava do início
da digressão nacional do grupo. No encore-apogeu quando muitos dos fiéis
esperavam a chegada de "A Vaca de Fogo" ou de "O
Pastor", os Madredeus apostaram na audácia do risco e optaram pela
transcendência das desconhecidas "Vozes no Mar" ou
"Tarde, por Favor". Durante um recital que se alongou para além
de duas horas, o mais celebrado grupo musical português revelou as 16
faixas do mais recente disco (com precisos 77 minutos e 22 segundos), o
segundo de estúdio desde a reformulação da formação. Uma gravação
em que os quatro músicos Madredeus reverenciam a voz da "madredeusa"
Teresa, reiterando o mote contínuo de um projecto conceptual marcado
por uma coerência artística e uma dignidade estilística elogiáveis.
A abordagem do novíssimo repertório foi precedida,em jeito de
aperitivo, pelos êxitos "Os Dias São a Noite" e "Oxalá".
Seguiu-se o convite para a entrada no "labirinto" solene, mas
nunca parado de "Movimento". "O Labirinto Parado"
que se insinua como a música de trabalho do CD, assente num balanço rítmico
capaz de agradar mesmo aos viciados na música mais pop. Correio da Manhã, Abril de 2001 |
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