
a
sombra imperiosa da lembrança
recolhe-se nas pétalas
do silêncio
poderosa imagem desfalecida
de
um ser

um
labirinto de palavras
atravessa o
pensamento
a fronteira entre o possível
e tudo o que não existe

um
som que se confunde com o silêncio
ou o silêncio que se torna som

mas
o mar continua a não ser meu
e eu, acordado
sem sono, sem medo
sonho contigo

prosseguir
é a salvação
a fuga
ao que nos foi traçado

há
já algum tempo que penso em ti
quero ouvir o que tens para me dizer
e pensar nas tuas palavras de luz

vivo
da saudade
escondida
para lá do horizonte
saudade que me atravessa a cada novo dia
O
o mundo perdeu-se no tempo
e sozinhos esperamos a incerteza
agora, no longo
imaginar solitário
tudo é imóvel e pouco nítido
até o escuro se desfigura
não há neste céu enegrecido
a quem entrego a alma perdida
vestígios do teu olhar
sereno
farol gotejando de luz
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