Coisas Pequenas são Coisas Pequenas
s ã o   t u d o   o   q u e   e u   t e   q u e r o   d a r . . .

Se alguém chegasse e vos falasse carinhosamente, com emoção na alma e no coração, do sonho e da saudade, do amor e da esperança, do mar e de todos os horizontes descobertos e por descobrir, esse alguém transformar-vos-ia e faria de vós seres melhores. Melhores, porque vos ensinaria a ver e a sentir de uma forma especial o mundo à vossa volta, vivendo com emoção as "Coisas Pequenas", os pequenos pormenores que vos escapam a cada dia. Esse alguém despertar-vos-ia para o que de mais belo existe, para os pequenos detalhes que alimentam o espírito e o elevam até às estrelas, num ondular constante de plenitude e emoção.

Esse alguém existe, ecoa os seus sons rumo ao nosso interior, numa caravela plena de sonho e esperança, esse alguém de nome Madredeus, é uma entidade viva e presente, real. Não vos falo do transcendente, mas sim deste conjunto de pessoas iluminadas que formam os Madredeus.

Daí ser possível a cada um de nós, que vive com esta música no coração, perceber a importância dessas "Coisas Pequenas" de que nos alimentamos. Num instante de contemplação percebemos que o sorriso de uma criança, o murmúrio do vento no topo descampado de uma montanha, o mesmo vento que agita as folhas das árvores e que se recolhe no mar, num ir e vir constante, são imagens belas demais para as esquecermos ou simplesmente as ignorarmos. Despertar os sentidos numa vista sobre o mar e perder o olhar nos contornos do horizonte, são pontos altos de uma qualquer existência, assim deveria ser, se não nos perdêssemos todos os dias, a todas as horas, noutros estímulos supérfluos, bem menos inspiradores e curativos.

A música dos Madredeus acorda-nos para essas realidades cada vez mais desprezadas, esquecidas neste mundo onde tudo é fugaz... e voraz. Se interiorizarmos a mensagem feita de sons e palavras que nos é trazida pelos Madredeus, esses pequenos nadas, transformar-se-ão dentro de nós em tudo aquilo que é importante...

Recolhe esses pedaços de sonho e inunda-te num mar de esperança!

Sérgio Freitas, Maio de 1999

 

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