Se o amanhã vier
pleno de silêncios camuflados
e pedaços de sal diluídos num olhar
a sombra dos abutres tingirá a terra
e o tronco enegrecido da árvore da vida
apontado ao céu, nesta noite de insónia
indicará o caminho.

Estranho e triste este desencanto
este sonho pálido de morte
em que se acendem estes versos vagos
que procuram os rostos tristes dos que partiram
ansiando pelo consolo dos que ficaram.

No horizonte escurecido do quase noite
pressente-se o mar e sente-se o quase tudo
que é este quase nada de sonho que ainda resta
no triste afundar do gigante abençoado.

Agora a barreira desta montanha emocionada
afunda-se no desconhecido mar das palavras
que refazem o coração.

Amanhã continuarei aqui, como sempre
olhando o sonho que se escoa no poente
e a luz que se move ao sabor das marés.

Amanhã continuarei aqui
sabendo que estás aí, como sempre.

Assim é o amanhã.
 

 

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